Brasília, sábado, 12 de fevereiro de 2005
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Como se dar bem na escola

Professor de Brasília lança livro com 100 dicas para melhorar a auto-estima do aluno

Da Redação

 
Desde pequeninos, quando estamos apenas começando a entender como funciona o mundo, até nos tornarmos adultos, a vida nos coloca diante de escolhas. Às vezes elas são difíceis, mas são elas que vão definir o adulto que vamos nos tornar. Diante dessas escolhas, o que pensamos ou deixamos de pensar sobre nós mesmos influencia o caminho que vamos tomar. Por isso é importante ter uma boa auto-estima. Essa palavra parece difícil, mas na verdade ela significa nada mais que o valor que damos aos nossos próprios talentos. É a confiança que temos em nossas próprias capacidades.

Tanto na nossa vida quanto na escola, uma boa auto-estima faz uma grande diferença. Quando nos sentimos bem, fica mais fácil fazer novos amigos, as brincadeiras são mais divertidas e até as nossas notas são melhores. Para ajudar as crianças e adolescentes a acreditarem mais em si e, assim, melhorar o desempenho escolar, o professor Simão de Miranda escreveu o livro 100 dicas para a auto-estima do aluno. Ele acompanhou alunos de uma escola rural do Gama e percebeu que pequenos gestos e atitudes podem ajudar a criança a se sentir melhor. Em entrevista ao Super!, o autor explicou como essa questão influencia a vida das crianças e adolescentes.


Um guia para fazer a diferença no seu dia-a-dia

Em casa
  • Alimente as melhores relações na sua família
  • Defina um cantinho arejado, silencioso e iluminado para estudar.
  • Evite programas de TV de qualidade duvidosa. Roubam nosso tempo, furtam nossa inteligência, empobrecem nossa alma
  • Seja amigo da leitura. Tenha muitos livros. Uma casa sem livros — segundo Cícero, poeta romano —, é um coração sem alma.
  • Habitue-se a ler jornais e revistas de atualidades

    Com os amigos
  • Faça muitos amigos, cultive-os, parabenize-os em seus aniversários
  • Busque sentir-se confortável no seu grupo
  • Respeite incondicionalmente as diferenças. Mostre-se rigorosamente contra qualquer tipo de preconceito
  • Destaque apenas as qualidades dos seus colegas. Você poderá ser beneficiário delas quando menos esperar
  • Reconheça e incentive o sucesso dos seus colegas
  • Faça fotos em grupo no colégio, nos passeios e nos encontros estudantis

    Sempre
  • Aprenda a perder, para aprender a ganhar
  • Nunca desista facilmente. Aliás, nunca desista
  • Acolha a crítica com maturidade, embora ela nem sempre lhe agrade
  • Aceite-se e ame-se como você é, física ou emocionalmente
  • Supere-se sempre. Assim são geradas as oportunidades
  • Mostre iniciativa e coragem
  • Diga não às drogas
  • Tenha um hobby sadio: colecione selos ou cartões, jogue xadrez, pratique esportes, estude teatro, dança ou música
  • Tenha amor-próprio, auto-respeito, autoconfiança, auto-estima, autonomia. Tudo o que é "auto" deve lhe interessar
  • Cante, dance, conte piadas leves, ria, assobie, abrace, brinque, beije
  • Permita-se se encantar com cada descoberta sua. São etapas preciosas de uma caminhada que vai lhe levar longe.
  • Dê um chute na tristeza, um pontapé na angústia
  • Sonhe. Sonhe muito. Mas seja o personagem principal de seus sonhos
  • Tenha seu temperamento sob controle. Nosso gênio é um cavalo selvagem a ser domado

    Na escola
  • Não tema situações novas. São as experiências mais extraordinárias
  • Não adie seus compromissos escolares. O tempo não roda ao contrário
  • Seja curioso. Interesse-se pelas perguntas para as quais você ainda não tem resposta
  • Habitue-se a usar o dicionário. Tantas palavras dormem, esperando que sejam despertadas.
  • Uma bateria de exercícios, uma leitura cansativa, uma pesquisa longa… Busque ver o lado bom nas atividades penosas. Nada é 100% ruim
  • Mostre gratidão e respeito por seus professores
  • Faça a sua parte em manter o ambiente educacional limpo. O bem-estar faz o estar bem
  • Seja amigo da biblioteca
  • Não tema o erro. Na educação, como na vida, ele é seu melhor professor, se souber tirar dele suas melhores lições.
  • Tenha uma agenda. Saiba organizar-se e definir prioridades
  • Aprenda um idioma estrangeiro
  • Interesse-se pela mitologia grega
  • Não use o telefone celular em sala de aula
  • Nas aulas, pergunte, pergunte, pergunte. Pergunte muito. Mas não pergunte o tempo todo

  • Entrevista - Simão de Miranda
    Jose Varella/CB 1.2.05
     

    Professor há mais de 16 anos, Simão de Miranda se formou em Educação Artística e se especializou em jogos e brincadeiras para crianças. Ele já escreveu vários livros sobre atividades e dinâmicas em grupo, e também um livro para os professores trabalharem a auto-estima dentro da sala de aula.

    Super!: Quando você resolveu escrever um livro com dicas de auto-estima para crianças e adolescentes?
    Simão de Miranda
    — Foi depois de terminar minha pesquisa de mestrado sobre jogos no ambiente da escola, em 2000. Percebi que algumas crianças não se empolgavam, não participavam. Era um problema de auto-estima. Essas crianças também tinham um problema de desempenho. Suas notas eram baixas. Então resolvi escrever um livro para ajudá-las a se sentirem melhor, com mais auto-estima.

    Super!: O que é, exatamente, auto-estima? Como ela influencia o aluno na escola?
    Miranda
    — Auto-estima é uma relação afetiva que a criança constrói consigo própria. É o valor que ela aplica a suas próprias capacidades. Essa forma que a criança tem de valorizar a si própria acaba determinando o adulto que ela será. A auto-estima é a confiança em que cada um tem em si próprio. Sem uma boa auto-estima, as crianças ficam desestimuladas. Isso atrapalha a criatividade, a motivação, a cognição, a afetividade e a socialização, então elas têm vários aspectos de sua vida prejudicados, inclusive o aprendizado.

    Super!: Como a família pode melhorar a auto-estima da criança ou do adolescente?
    Miranda
    — O primeiro contato das crianças com o mundo social acontece pela família. Também é a primeira fonte de carinho e afeto, que são essenciais para que a criança tenha uma boa auto-estima. Mas outras pessoas também influenciam, como o professor.

    Super!: Qual o primeiro passo para começar a melhorar a auto-estima?
    Miranda
    — A construção da nossa auto-estima é um processo lento e gradual. De uma hora para a outra, não dá para esperar que uma criança sem nenhuma auto-estima já esteja ativa e brincalhona. A família, os amigos e a escola são essenciais para esse processo. Um bom começo é usar brincadeiras e jogos, principalmente aqueles em que o grupo tenha um objetivo comum, para a criança começar a se soltar e participar. Com carinho e afeto, logo a criança estará se sentindo melhor.


     

    100 dicas para a auto-estima do aluno
    De Simão de Miranda.
    Ilustrações de Flávio Rossi.
    Papirus Editora, 95 págs.
    R$ 8,90 (Preço sugerido)



     




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