LEIA O ARTIGO DE SIMÃO DE MIRANDA PUBLICADO NO JORNAL DO BRASIL DE 17/05/09
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ÍNTEGRA DO ARTIGO ESTÁ PUBLICADA NA REVISTA CIÊNCIA HOJE, EDIÇÃO 259, DE
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Comunicação e construção da autoestima infantil
Experiências vividas na infância influenciam visão que o adulto terá de si
Simão de Miranda
FACULDADE JK/ANHANGUERA EDUCACIONAL (DF)
A comunicação não se dá apenas por palavras. O modo de falar, o tom da voz, as expressões, os gestos e o contexto também transmitem informações. Esse fenômeno, conhecido como metacomunicação, é fundamental para a construção da autoestima, principalmente nos primeiros anos de vida. Conhecê-lo melhor ajudará na formação de adultos mais confiantes, otimistas, altruístas e afetivos.
Sabe-se que a autoestima adequada é fundamental para a saúde mental e há certo consenso de que sua origem está na qualidade das interações entre a criança e indivíduos importantes do seu contexto sociocultural, como pais e professores. Já na criança em idade pré-escolar percebe-se a forte presença de "'regras" de metacomunicação que determinam como letras, palavras, expressões etc relacionam-se com objetos, pessoas, lugares. À medida que amadurecem, as crianças passam a usar a metacomunicação para dirigir seus discursos conforme seus interesses.
Manipular a metalinguagem significa tomar consciência do contexto no qual se situam as experiências. Em seu livro Desenvolvimento humano, as psicólogas norte-americanas Diane Papalia e Sally Olds afirmam que, do nascimento até perto de um ano e meio, a criança já percebe o ambiente social e demonstra reações a ele. Perto dos três e até os cinco anos, surge a possessividade, dirigida às pessoas e coisas, e a criança amplia seu conceito do "'eu" ao que é dela. Aos quatro ou cinco anos, já se autodescreve e se compara aos outros. Dos cinco até os seis anos, quando inicia a escolarização, já elabora conceitos mais complexos de seu contexto sociocultural.
É nesse momento que a criança passa a vivenciar eventos de grande influência na construção de sua autoestima, já que os desafios escolares cobram dela êxitos nos desempenhos sociais e acadêmicos. A partir de então, as interações com seus pares adquirem valor especial na construção e consolidação de sua autoestima. Suas trocas com os outros diferenciam-se, ultrapassam os limites da escola, e passam também a integrar a construção da identidade pessoal.
É necessário destacar que a autoestima é um fenômeno complexo, dinâmico e até contraditório. Portanto, não pode ser reduzido, como costumeiramente, à "alta" ou "baixa", "boa" ou "má"'. A compreensão mais adequada é a de que ela resulta de uma autoavaliação promovida no contexto de trocas sociais comunicacionais e metacomunicacionais.
Interação
Essencial para uma vida satisfatória, a autoestima afeta crucialmente a interação com o mundo. Reações aos acontecimentos são, em grande parte, determinadas pelo que pensamos que somos. E as interpretações podem ser influenciadas pelo estado emocional e motivacional dos interlocutores.
Assim, aquilo que não se diz explicitamente precisa ser levado em conta quando se quer perceber os processos construtivos da autoestima. E, talvez, por ser a comunicação (verbal ou não verbal) parte constitutiva da espécie humana, sejamos tão afetados pelos "rótulos" que recebemos quando crianças por meio da comunicação e da metacomunicação. Além disso, o que é apenas "sugerido" estabelece parte do contexto, instruindo o ouvinte a organizar seu entendimento do discurso do falante. Intencionais ou não, tais indicadores podem alterar a comunicação e influenciar a construção da autoestima infantil. Podem induzir medo, tristeza, desmotivação, desapreço, descrença em si mesmo, aumento da timidez, falta de iniciativa etc.
O fundamental é sabermos que a construção da autoestima está fundamentada em duas dimensões nas quais comunicação e metacomunicação são panos de fundo: uma referente ao outro, e que envolve atitudes como coragem, persistência, iniciativa, alegria, destemor em relação ao erro, extroversão, cooperação, sentimento de igualdade, disposição para aprender etc; e outra autorreferente, o "'eu-comigo-mesmo", na busca de autoaceitação, autovalorização, autoconhecimento, autoconsciência, autonomia, autoconfiança, autorrespeito etc.
Estudos apontam que interações serenas e respeitosas para advertência melhoram a qualidade das relações envolvidas na construção da autoestima da criança. Um simples gesto atencioso e afetivo de um adulto pode repercutir em entusiasmo e alegria por parte da criança, o que pode sugerir mudança na autoestima. O resultado desses acontecimentos na infância pode ser um adulto mais confiante, otimista, altruísta e afetivo.
Domingo, 17 de Maio de 2009 - 00:00
Prof. Dr. Simão de Miranda
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